No número 59 da rue du Faubourg Saint-Honoré, a Maison Cardin apresentou Venice ’59, sua nova coleção de outono/inverno 2026-2027, durante a Semana de Moda de Paris. Concebida como uma reflexão sobre o futuro. E se a moda se tornasse a voz do mundo de amanhã?
Diante da emergência climática, a marca assume seu papel como um laboratório do futuro e busca se adaptar à elevação do nível dos mares.
Entre as primeiras cidades ameaçadas, Veneza ocupa um lugar único. Há muito habituada à Acqua Alta, a Sereníssima poderá, já a partir da década de 2060, ver suas ruas, lojas e moradores desaparecerem gradualmente sob o efeito de marés cada vez mais frequentes.
Como resposta a esse cenário, Venice ’59 se apresenta simultaneamente como uma homenagem e uma visão.
A coleção se inspira no imaginário atemporal da cidade — suas máscaras, suas capas, a elegância misteriosa de seu carnaval — e o projeta em um futuro possível, onde criatividade, ciência e consciência ambiental dialogam entre si.
Há vários anos, Rodrigo Cardin desenvolve dentro da Maison um laboratório de pesquisa dedicado a uma ideia visionária: peças de extrema leveza, quase imateriais, sobrepostas a trajes capazes de interagir com o corpo e regular sua temperatura.
Esses têxteis inteligentes, aliados a dispositivos mecânicos e acessórios técnicos, delineiam uma nova relação entre corpo, energia e meio ambiente.
Os materiais utilizados também refletem esse compromisso: tecidos provenientes de estoques adormecidos da Maison, fibras recicladas e materiais selecionados globalmente por seu impacto ambiental controlado.
Por meio de cerca de sessenta criações, surge uma proposta: imaginar um futuro em que tecnologia e sensualidade coexistem — conscientes do mundo que está por vir, mas sem renunciar ao impulso criativo.
A inovação torna-se a chave da nossa resiliência.